*Foto do The Kaiser Franz Monument, Viena (AT).
Para ler ouvindo "Vienna" de Billy Joel.
Diferentemente da maioria dos blogs que você deve ver por aí, aqui raramente você vai encontrar uma foto das pessoas que conheci. Isso tem alguns motivos, um deles é que prefiro escrever e dar a você, leitor, a capacidade de pensar. Pensar em como as pessoas são ou podem ser. Pensar em tudo, inclusive nos lugares e situações. Outro motivo é que, ao postar imagens, sinto uma certa exposição desnecessária e conversa vai e vem pessoas podem ser facilmente identificadas, o que não é o objetivo deste blog.
Mas vamos lá. Viena representa um dos lugares mais importantes da minha vida. Na foto acima, você pode ver uma das inúmeras estátuas que existem na cidade. Em museus, igrejas, ruas, você sempre verá uma estátua.
Se você for ao principal cemitério da cidade, descobrirá milhares de estátuas para todos os lados e inclusive uma coleção de estátuas de compositores clássicos, de Beethoven a Mozart, e suas respectivas lápides. A surpresa é que você descobrirá que nem todos esses compositores estão lá, mas de alguma forma, o cemitério é provavelmente um dos principais pontos turísticos da cidade, fora os jardins maravilhosos.
O sistema de transporte tem uma integração eficiente e a cidade é bem organizada; tudo parece cena de cinema. Em Viena, lembro ainda de ter jogado Monopoly em tabuleiro pela primeira vez. E confesso que nem terminei porque fiquei jogando por pouco tempo com os jovens do hostel e depois saí do bar/restaurante e fui explorar a cidade. Enquanto estava na cidade, vivi cenas de telenovela mexicana que remetem a outras viagens e descobertas do passado, conectadas ao último artigo sobre Toulouse.
Quando retornei ao hostel, entrei no elevador e logo depois dois jovens entraram. Após um "HI, where do you come from?" descobri que eram um casal de brasileiros. Conversa na certa! Em apenas 5 segundos naquele elevador, trocamos números de telefone e combinamos de nos encontrar no dia seguinte. Eles estavam viajando após participarem de um congresso científico na Espanha. Passamos algumas horas juntos explorando a cidade, e depois eles partiram para outra viagem.
Continuei em Viena e lá encontrei três australianas. Conversando com elas, não lembro mais os nomes, só sei que, de forma completamente aleatória, nossos caminhos se cruzariam novamente dois meses depois. Na segunda vez, eu estaria em Londres vindo da França. Uma delas havia retornado à Austrália, e as outras duas que ficaram tinham acabado de chegar da Islândia. Foi de fato muito aleatório, já que o normal é encontrar uma pessoa em um roteiro como Budapeste-Bratislava-Viena.
Com essas histórias, quando lembro de Viena, começo a rir. "Vienna" de Billy Joel faz parte da minha vida há alguns anos. Naquele tempo me inscrevi para ganhar uma bolsa do Peter Drucker Institute, e eu nem tinha sido selcionado mas eu idealizava muito sobre Viena, a cidade. Eu sempre escutei "Vienna" pensando em como tudo o que ele cantava fazia sentido para mim e quando algum dia eu fosse visitar a cidade. Na música, ele fala sobre amadurecimento e paciência. E quando fui de fato a Viena, a cidade trouxe muitas experiências para mim. Viena representou idas e vindas, passado e futuro.
Foi uma conexão no tempo que não esqueço. Vienna, como Billy Joel diz, esperava por mim. E quando penso em ir a lugares, sempre penso sobre o que eu espero de mim e do lugar. Eu esperava Vienna como Billy cantava. Eu era uma crazy child e eu precisava viver e aprender com tudo aquilo. Neste fim de semana (Novembro) retorno a um dos lugares que me marcou. Mas, como numa boa novela, isso deve ficar para os capítulos seguintes.


